sexta-feira, 27 de abril de 2012

PEQUENOS DIÁLOGOS SOBRE O INVISÍVEL





Casal

- Apague a luz
- Quero te ver.
- Tenho vergonha
- Você é linda.
- Sou linda no escuro.

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- Cheiro de vovó, mamãe.
- Era a casa da vovó, meu amor.
- Não gosto dessa vovó!
- Não gostava da vovó, meu anjo?
- Gostava muito. Não gosto desta vovó que não me abraça.


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Duas crianças brincando. Colhido de um diálogo verídico.

- Iah! Te matei! Iah!
- Ai, ai, ai, ai, ai...
- Peraí, você não sente dor.
- E por que não?
- Porque você é cego e cego não sente dor.
- Sente sim!
-Sente nada!
- Sente sim!
-Sente nada!
- Ele sente quando vira os zóio e enxerga por dentro!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Lissy Elle








A imagem do meu perfil e todas estas aí em cima, são de uma fotógrafa canadense chamada Lissy Elle. fazia tempo que fotografias não mexiam tanto comigo. Ela é sensacional! Vale a pena visitar sua obra:  http://www.flickr.com/photos/lissyl

Ao que já se foi...

E fica uma imagem.
E fica um perfume.
E fica uma estação do ano (porque toda vez que faz frio e tá sol, eu lembro de você...)
E fica uma risada.
E fica uma comida que a gente comia junto.
E fica uma música que a gente cantava quando estava indo pro trabalho.
E fica uma juventude que eu nem sabia que tinha (e nem que ia sentir tanta falta dela)
E fica uma esperança que hoje não é tão pulsante assim.
E ficam os amores.
E ficam os assuntos.
E fica uma profissão.
E fica uma casa com varanda.
E fica um restaurante onde a gente comia churrasco com nhoque.
E fica para trás...para trás...cada dia mais...para trás...
E eu fico na frente.
E você, na frente também, mas do outro lado.
E fica uma saudade.
E fica uma falta.
E fica uma impossibilidade.
E vai uma lágrima.
E vai uma canção.
E vai um texto.
E vai a vida...a vida...a vida...

(para Karin e Marcela)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Legião de mulheres iguais

E finalmente fiz minha descoberta! Por que eu sinto um aconchego com filmes europeus? Vendo "Os emotivos anônimos" descobri! Os atores de filmes europeus são bonitos dentro do humanamente possível! Eles têm rugas, os dentes são amarelados, eles usam o mesmo casaco o filme inteiro e, que delícia!, me sinto em casa! A insuportável beleza americana que coloca os padrões em níveis desumanos e deve aumentar consideravelmente o número de suicídios e usuários de antidepressivos precisa acabar! Não se pode ter aquele corpo, nem aquela pele, nem aqueles dentes, nem aquelas roupas! É desumano, é cruel! Nem os atores se parecem com eles mesmos quando estão encobertos por máscaras de luz, maquiagem e photoshop. E para quê isso? Para onde vai tanta beleza engarrafada? Para que servem estes padrões desesperadores? E nós, como importadores incompetentes, temos aqui também a nossa TV para garantir o desespero em língua portuguesa! E o que vemos por aí são reproduções baratas (que custam caro!) de Cristianes Torlonis, Suzanas Vieiras, Ana Maria Braga e etc, etc, etc. Puxa aqui, puxa lá, aperta aqui, esfola lá, enche a boca com a gordura da bunda e, voilá!, uma legião de mulheres iguais andando pela rua! Todas iguais, pois é tempo de camisa com cinto para fora e talvez aquela goste, talvez não, jamais saberemos, mas, por algum motivo obscuro, andam nas ruas os grupos de mulheres iguais. E eu me pergunto: é possível escapar disso? É possível ser aceita sendo diferente? Não uma diferença de grife, de calça saruel de 300 reais para os ousados, mas estar bem com a possibilidade de não ser jovem por muito tempo, de não ter as unhas feitas o tempo todo, de andar por aí sem maquiagem para cobrir as imperfeições, pois elas podem ser assumidas. É possível?