domingo, 15 de março de 2015

19-01-15: Carta para Elis


Uma carta que nunca será lida.
Elis, hoje completam 33 anos de sua morte. Elis, esse ano faço 33 anos.
Não nos cruzamos por aí. Não fui a um show seu e nunca vi um álbum ser lançado.
E isso me maltratou por muito tempo. Essa tristeza de ter que conviver com um desencontro temporal tão difícil pra mim.
Você me deu a resposta: "não te maltrates, nem tente voltar o que não tem mais vez." Vento de maio.
Aí eu comecei uma devoção. Muitas vezes louca, confesso. Muitas vezes quis ser você. Isso é bem forte. A gente querer, de verdade, ser outra pessoa.
Aí eu descobri que sou você. Eu e milhões de outros. Outros que são/somos você. E você continua se multiplicando por aí. Vento de maio: minha filha nasceu nesse mês lindo. Ela tem seis anos e já estou deixando minha pequena um pouco você. Por que é preciso que todo mundo te deixe aqui mais um pouco. te deixe cantando em palcos virtuais, em memórias, reais e inventadas.
Inventei sua vida em mim. Te invento viva a cada dia. Te invento cantante e sorridente. te invento teatro, oficina, te invento tema de personagem, trilha sonora de amor e dor, te invento enquanto redescubro a sua arte.
Choro de vez em quando, porque, entre outras coisas, queria que você pudesse ler essa carta.
Choro quando vejo sua filha falando sobre você. Ela é tão linda. E cantou suas músicas com sua neta na barriga. Poxa, Elis, imagina só, que barato! Imagina o tanto que você ia chorar.
Mas nós/você, choramos. E ficamos eternizando seu canto. E suas lágrimas e seu sorriso. Ficamos emprestando para você a nossa vida.
Quem grita vive contigo.
Mas fica na gente esse sentimento estranho de ter perdido alguém da família. Eu não sei...é estranho...
Vejo seus filhos e quero abraçá-los. Acho que é porque sou um pouco você.
Vejo seus filhos e fico me sentindo meio bobinha. Porque a tristeza de não ter colo de mãe é, para mim, a maior de todas.
(depois do meu vento de maio...)
Mas acho que estamos ajudando seus filhos a chorar.
Porque somos um pouco você.
Com amor,
Liana Ferraz

(Para ler ouvindo:Vento de Maio)

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